Cobrar pouco não enche a agenda: enche de trabalho que não paga as contas. O autônomo da construção — pedreiro, eletricista, encanador, pintor — costuma fechar o mês cansado e sem dinheiro não por falta de serviço, mas por um erro de aritmética que ninguém ensina. Ele nunca calculou, a frio, quanto vale de verdade a hora dele.
Esta calculadora faz essa conta para você. Ajuste seus números acima e veja, em tempo real, quanto você precisa cobrar por hora para atingir a renda que quer levar para casa cobrindo o INSS, as ferramentas, o combustível e os dias parados.
Por que o autônomo cobra pouco
Quase todo autônomo define o preço olhando para o lado: vê o que outro cobra e copia, ou chuta um número que "parece justo". O problema é que esse número raramente passou por uma conta. E quando passa, dois buracos derrubam a tarifa para baixo do que ela deveria ser.
O primeiro buraco é calcular o preço sobre as horas trabalhadas, não sobre as faturáveis. O segundo é esquecer os custos que existem mesmo nos meses sem obra. Os dois somados fazem você trabalhar mais horas para ganhar o mesmo, e você só percebe quando o ano acaba e o dinheiro não fecha.
Os custos que ninguém conta
Quando o autônomo pensa em custo, ele pensa no material da obra. Mas o material o cliente paga. O que come a sua margem é outra coisa: a contribuição do INSS todo mês, as ferramentas que quebram e precisam de reposição, o combustível e a manutenção do veículo, o pedágio, o celular, o seguro, o EPI, o contador, o software de orçamento. Tudo isso existe independentemente de você fechar ou não um trabalho naquele mês.
Veja cada um deles:
- INSS: o autônomo recolhe por conta própria — 20% sobre o que declara, 11% sobre o salário mínimo no plano simplificado, ou o valor fixo do MEI. É despesa certa, não opcional.
- Ferramentas e reposição: furadeira, esmerilhadeira, andaime, escada, brocas, o que desgasta e o que some. Distribua o gasto anual entre as suas horas.
- Deslocamento e combustível: o tempo na rua você não fatura, mas o combustível você paga. Some o ano inteiro: costuma ser mais alto do que a memória sugere.
- Outros custos fixos: celular, seguro, uniforme, contador, EPI, internet, software.
Se você não distribui esses custos entre as suas horas faturáveis, é você mesmo que absorve, sem perceber, tirando do próprio lucro. A calculadora obriga a colocar o número anual inteiro — e quase sempre ele assusta na primeira vez.
Horas faturáveis não é o mesmo que horas trabalhadas
Esse é o coração do problema. Imagine dois eletricistas que querem levar R$ 60.000 limpos por ano e têm R$ 18.000 de custos somando INSS, ferramentas, combustível e o resto: R$ 78.000 a cobrir. O primeiro divide pelas horas que trabalha — digamos 1.800 no ano — e chega a R$ 43 por hora. O segundo sabe que dessas horas só fatura parte, porque o resto vai em deslocamento, orçamento, compra de material e papelada. Divide por cerca de 1.150 horas faturáveis e chega perto de R$ 68 por hora.
Os dois trabalham igual. Mas o primeiro está cobrando bem abaixo do que precisa e só descobre no fim do ano. A hora que você não fatura também tem que ser paga, e ela só é paga pelas horas que você de fato cobra. Por isso a calculadora pede as horas faturáveis por dia, e não as horas de expediente.
O autônomo não tem férias remuneradas
Tem mais um detalhe que o registrado esquece e o autônomo sente na pele: não existe décimo terceiro nem férias pagas. Cada semana que você para — por descanso, doença ou falta de obra — sai do seu bolso. Por isso a calculadora desconta as semanas de férias e ainda tira os feriados do ano: são dias em que você não fatura, mas continua tendo custo. Quanto menos dias você fatura, maior precisa ser o preço da hora para a conta fechar.
O que fazer com o número
Se a sua tarifa real saiu acima do que você cobra hoje, é o sinal claro: você está cobrando pouco. Isso não significa subir tudo amanhã de uma vez. Significa que agora você sabe qual é o seu piso e pode decidir com dados — quais trabalhos valem a pena, quais recusar, onde cortar custo fixo ou como recuperar horas faturáveis.
Use a tarifa como base para montar orçamentos a preço fechado, que é o que o cliente prefere: estime as horas, multiplique pelo seu preço por hora, some material e margem, e apresente um número único. A página de operação mostra como recuperar horas faturáveis automatizando orçamento e papelada, e o guia de orçamentos que fecham mais trabalhos entra no detalhe de como apresentar o preço.
Quando precisar precificar uma obra inteira com custos, BDI e margem, use a calculadora de margem de obra e BDI. E explore as outras ferramentas gratuitas para dimensionar o resto do seu negócio. Quando seus números estiverem na mesa, conversamos e olhamos juntos.